Nosso grupo oferece dois cursos de extensão: breve relato da nossa experiência EaD durante a quarentena

Não tem sido fácil para ninguém este período de quarentena diante da pandemia da COVID-19. Tivemos que mudar hábitos, criar novas formas de nos encontrarmos, repensar completamente nossa rotina de vida e forma de trabalhar. Diante deste novo cenário, nosso grupo de pesquisa resolveu oferecer nessa quarentena dois cursos de extensão para alunos internos e externos ao INES. Os cursos se juntam a outras iniciativas propostas pelos nossos professores do Departamento de Ensino Superior do INES, usando diferentes metodologias e plataformas. É um período novo em que testes, mudanças e adaptações ocorrem à medida que o barco, navegando pelo mar revolto, avança.

Aprendendo sobre a contação de histórias para crianças surdas

O primeiro curso que oferecemos se chama “Conto de histórias para crianças surdas” e contará nos meses de maio, junho e julho com alguns convidados especiais para os quatro encontros online previstos do curso. Agradecemos desde já a pronta participação deles, que reservaram um espaço em suas agendas e uniram forças com nosso GP.

A nossa primeira convidada, a professora da UFPel Tatiana Lebdeff, nos trouxe no último dia 26 de maio sua experiência de pós-doutorado na escola PSD (Pennsylvania School of Deaf). O objetivo da palestra foi apresentar o Programa de Leitura Compartilhada desenvolvido pela Universidade Gallaudet e aplicado na PSD. Foram detalhados aspectos curiosos e surpreendentes sobre o processo de alfabetização bilíngue aplicado nesta importante escola. Tivemos aproximadamente 30 alunos participando por videoconferência através do aplicativo Zoom e enviando suas questões para a professora Lebedeff.

Está prevista também a participação de Alessandra Delmar, que abordará os 15 princípios de leitura compartilhada (acessem a monografia em Libras dela sobre o tema), Claudio Mourão e Bruna Branco com o tema literatura surda e, por fim, Cleber Couto e Ramon Linhares desenvolvendo o tema arte no conto de histórias.

Semiótica como chave de leitura

O segundo curso se chama “Diálogos e jogos para entender semiótica“. No curso, os líderes do grupo de pesquisa, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado, conjuntamente com a professora Claudia Pimentel, atual coordenadora do programa de mestrado do INES, apresentam em 4 módulos os resultados de pesquisas e propostas desenvolvidas ao longo dos últimos 5 anos de pesquisas do grupo. Os módulos são: Semiótica, Gramática Visual, Ambiências e Vídeos em Libras.

A aula inaugural do curso, no dia 19 de maio, foi com o professor Alexandre Rosado que apresentou a conferência “Inscrições, registros e memórias surdas em produções visuais digitais: escritas, gramáticas e visualidades em Libras“. A aula inaugural do curso serviu para apresentar também a proposta metodológica e a primeira temática, a semiótica. Os alunos tem sido muito ativos nos encontros realizados até o momento, contribuindo com questões que dinamizam as apresentações.

A sala de aula invertida como proposta metodológica

Ambos os cursos trabalham com a ideia de sala de aula invertida. Primeiramente os alunos recebem, em etapas, materiais de estudo (textos, vídeos em Libras, imagens, slides) e tarefas para serem realizadas individualmente na plataforma de EaD Classroom, se aproximando dos conceitos e aplicações propostas pelos professores.

Após as tarefas serem realizadas pelos alunos, ocorre a videoconferência com todos os cursistas a partir do material enviado por eles ao responderem seus exercícios. No último dia 2 de junho a professora Cristiane Taveira apresentou suas considerações sobre a semiótica a partir das respostas obtidas dos alunos durante a primeira atividade, um quiz elaborado a partir de imagens selecionadas pela professora. Com o debate sustentado e incentivado pelo retorno dos alunos aos exercícios propostos, o curso se torna mais personalizado.

Com esses dois cursos na modalidade EaD, o nosso GP inaugura uma nova etapa em suas atividades, abrangendo participantes cursistas fora do Rio de Janeiro, já que não temos o limite físico da presença em sala de aula no INES. Temos alunos de diversas regiões do Brasil e, até mesmo, inscritos de Portugal e da Argentina, vindos a partir do anúncio do curso realizado via Facebook e também pelo site do INES. Esperamos que todos passem bem, na medida do possível, por este período extremamente difícil de pandemia e que os nossos encontros online se juntem, futuramente, a novas e, não menos necessárias, experiências presenciais. E não custa repetir, nessa pandemia procurem FICAR EM CASA. 😉

Contação de histórias foi eixo condutor de pôsteres e comunicação apresentados durante o COINES 2019

Os alunos de graduação em Pedagogia do DESU-INES, durante as disciplinas de Educação Bilíngue, desenvolvem estratégias didáticas inspiradas no programa norte-americado Shared Reading Program da Universidade Gallaudet, traduzido para o Português como “Projeto de Leitura Compartilhada”. Nele, os alunos estudam quinze princípios norteadores para contação de histórias para crianças surdas e procuram aplicá-los na criação de histórias voltadas a alunos surdos da educação infantil.

Os materiais confeccionados pelos nossos alunos em parceria com a professora da disciplina, Cristiane Taveira, ao longo dos anos 2016, 2017 e 2018, foram todos doados para o DEBASI/SEDIN (alunos da educação infantil do INES). Entre os materiais didáticos produzidos estão as histórias: Feijãozinho Surdo, Patinho Surdo, Cinderela Surda, Lenda Festa no Céu, Lenda Indígena da Erva-Mate, Fábula Dois amigos e um urso.

Como novo impulso a este trabalho, no ano de 2019 realizamos a produção das histórias Rapunzel Negra e a Fábula Assembleia dos Ratos, em várias versões adaptadas pelos alunos em conjunto e guiados pela professora.

Alunos apresentam comunicação durante o COINES 2019

Esse trabalho tem um fundo teórico-prático que, desde junho de 2015, com a criação de nosso Grupo de Pesquisa “Educação, mídias e comunidade surda” e a realização de reuniões quinzenais, integra a contação de histórias como parte de suas iniciativas de extensão, sempre organizadas e conduzidas pelos líderes do GP. Dessa forma, a prática é apoiada pelos estudos sobre letramento visual e gramática visual inspirados em ampla bibliografia debatida pelo grupo.

Diversos pôsteres sobre a experiência de contação de histórias para o SEDIN foram apresentados por nossos alunos durante o COINES 2019.

Os resultados desse trabalho, os materiais produzidos para o conto de histórias, foram apresentados pelos nossos graduandos em comunicação e em pôsteres durante o Congresso Internacional do INES (COINES) de 2019. Importante salientar que mais de 20 pôsteres já foram produzidos entre os anos de 2016 e 2019, totalizando 10 histórias com materiais didáticos doados ao SEDIN após testagem.

Recebemos também com bastante felicidade a notícia, ao final do COINES, que dois dos nossos pôsteres foram premiados e terão em breve seus materiais publicados nas revistas científicas do INES.

 

Assembleia dos Ratos: contação de história na festa do Dia das Crianças

No último dia 11 de outubro de 2019, fomos convidados por Vera Nórdio, dirigente da Coordenação de Avaliação e Atendimento ao Educando (COAE), a participar da festa do Dia das Crianças do INES.

Durante as comemorações, fomos responsáveis por criar a ambiência externa à visita de um ônibus-biblioteca (do Projeto Livro nas Praças) e, para isso, contamos a fábula Assembleia dos Ratos em quatro apresentações de Leitura Compartilhada. Confeccionamos e utilizamos materiais multissensoriais, organizando a participação de dois grupos de alunos contadores.

Os alunos de graduação do Departamento de Ensino Superior (DESU) do INES desenvolveram estratégias didáticas provenientes do Shared Reading ProjectProjeto de Leitura Compartilhada da Gallaudet University. Após as contações de histórias, todos os materiais didáticos produzidos de 2016 a 2018 foram doados. São materiais das seguintes histórias: Feijãozinho Surdo, Patinho Surdo, Cinderela Surda, Lenda Festa no Céu, Lenda Indígena da Erva-Mate, Fábula Dois Amigos e Um Urso.

Fizemos também, até agora, dezesseis pôsteres sobre o conto e reconto de histórias, de um total de vinte e quatro já produzidos por nosso grupo de pesquisa ao longo dos últimos cinco anos. Nossa pesquisa sobre contação de história está chegando a sua etapa final em 2020, com dados mais consistentes que, em breve, serão publicados. Este trabalho faz parte de uma das iniciativas de estudos sobre letramento visual e gramática visual dos líderes desse grupo, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado.

A nossa experiência no último dia 11 de outubro envolveu grupos de 15 a 25 crianças e adolescentes surdos e surdocegos. Foram aproximadamente 60 alunos participantes deste projeto em 2019. Abaixo temos algumas fotografias da nossa contação da Fábula Assembleia dos Ratos.

 

Sinal em Libras para contação de história

Apresentação da contação de história durante a manhã 

Apresentação da contação de história durante a tarde

 

Pôsteres apresentados no III Simpósio sobre Ensino de Língua Portuguesa para Surdos

Aconteceu nos dias 28 e 29 de agosto de 2019, no INES, o III Simpósio sobre Ensino de Língua Portuguesa para Surdos: Formação Docente em Foco. Nossos alunos de quinto período da graduação de Pedagogia do DESU apresentaram quatro Pôsteres sob orientação da Professora Cristiane Taveira. Nestes Pôsteres relatamos as experiências de produção de materiais didáticos e do uso de estratégias do Shared Reading Program – Projeto de Leitura Compartilhada para o conto de histórias para surdos.

Alunos recebem seus certificados de participação no evento.

Iniciamos este projeto de Conto de histórias no ano de 2016. Neste momento nos preparamos para oferecer dois novos Contos de história para a Educação Infantil e o primeiro segmento do Ensino Fundamental: Rapunzel e Assembleia dos Ratos. Os Pôsteres compreendem as fases de estudo teórico, a etapa de elaboração dos materiais, roteirização da atividade e treinos. Faremos a contação de histórias com crianças de três até doze anos de idade no dia 11 de outubro de 2019.

Lembramos que este projeto doou todos os materiais didáticos produzidos no DESU de 2016 a 2018. Alguns dos materiais doados foram relacionados às histórias: Feijãozinho Surdo, Patinho Surdo, Cinderela Surda, Festa no Céu, Lenda Indígena da Erva-Mate, fábula Dois Amigos e um Urso e, agora, mais duas novas histórias.

Nossos alunos receberam convites para desdobramentos de escrita de artigos para as Revistas científicas do INES tendo sido premiados com o primeiro e segundo lugar do III Simpósio sobre Ensino de Língua Portuguesa para Surdos. Eles farão novas revisões de dados coletados para o compartilhamento de outras etapas da pesquisa.

 

Participação no evento “Dia Nacional do Surdo” no SENAC RJ

No último dia 26 de setembro de 2019 o nosso grupo de pesquisa esteve representado pelo professor Alexandre Rosado no evento “Libras e as Tecnologias Digitais: acessibilidade e inclusão digital do surdo“. Ele trouxe o tema “Inscrições, registros e memórias surdas em produções visuais digitais”, apresentando as relações entre diferentes tipos de tecnologia ao longo de nossa história (a oralidade/gestualidade, a escrita e o digital), e como elas influenciam e impactaram a comunicação das comunidades surdas e sua sociabilidade, em especial as tecnologias digitais do tempo presente. Trabalhos desenvolvidos em nosso grupo de pesquisa (monografias em Libras, curta-metragens, infografia, contações de histórias) compuseram a segunda parte da apresentação, com foco nas ações de Mídia-educação e suas produções acadêmicas derivadas.

Fotos: Claudia Duarte (Instagram)

Promovido pelo SENAC RJ como forma de celebrar o Dia Nacional do Surdo, o evento contou com apresentações dos aplicativos HandTalk e Giulia, que procuram promover, através de avatares sinalizantes digitais, traduções de Língua Portuguesa para Libras, auxiliando os surdos na acessibilidade cotidiana e sua inclusão em espaços onde a Libras é ainda desconhecida pelos ouvintes. Também contamos, na última parte do evento, com a apresentação de Bruno Ramos, ator e professor de Libras, com a palestra “A Produção de conteúdo digital em Libras: Influenciadores Digitais na comunidade Surda”, realizando ao final uma performance chamada “Papagaio Rei” em que simbolizou, poeticamente, a experiência surda de isolamento social (aprisionamento em uma gaiola) e sua posterior libertação quando se torna integrado a uma comunidade de usuários de língua de sinais.

Agradecemos o convite do SENAC RJ, representado por Thais Duarte (Gerência de Desenvolvimento de Produtos Educacionais), e esperamos que seja a primeira de muitas participações!

Agradecemos também a divulgação no jornal O Dia.

Slides utilizados na apresentação

 

 

Disponibilizado layout de teclado para escrita das línguas de sinais (sistema ELiS)

Um dos maiores desafios das línguas de sinais está em sua forma de registro. Nas últimas três décadas vimos uma ascensão estonteante das mídias digitais conectadas em redes de dados, originando a rede internet e bilhões de websites produzidos por empresas e pessoas físicas.

Exemplo de um texto em Libras escrito com ELiS.

No campo de estudos da surdez não foi menos importante o impacto destas novas mídias. Em alguns poucos anos percebemos um enorme crescimento da produção de vídeos em língua de sinais. No INES, vimos o nascimento da TV INES em 2013, uma TV criada e pensada para a comunidade surda, totalmente em Libras. Pela internet cresceram as postagens de vídeos pessoais, educacionais, informativos, acadêmicos, de curiosidades e sobre os mais diversos assuntos. Em nosso grupo de pesquisa já experimentamos, por exemplo, a produção de monografias em Libras e a criação, com nossos alunos, de vídeos novelísticos. A comunidade surda como um todo fortaleceu suas diversas línguas de sinais pelo mundo com a difusão de seus materiais, especialmente em sites como Vimeo e Youtube. É um renascimento linguístico e visual para esta comunidade o momento em que vivemos.

Livro publicado por Mariângela Estelita sobre a ELiS (um Manual para aprendizagem, com exercícios diversos)

Ao mesmo tempo, nas últimas décadas tivemos um aumento dos estudos gramaticais sobre as línguas de sinais, assim como propostas de escrita para estas línguas viso-gestuais, eliminando de vez a ideia de que elas seriam ágrafas, ou seja, sem escrita. No Brasil, tivemos uma proposta original da pesquisadora Mariângela Estelita Barros (Universidade Federal de Goiás), o Sistema Brasileiro de Escrita das Línguas de Sinais, a ELiS. A ELiS, inspirada no trabalho pioneiro de Wiiliam Stokoe (Universidade Gallaudet), foi criada em 1998 e aperfeiçoada ao longo das últimas duas décadas através de pesquisas e cursos oferecidos pela pesquisadora e professores em algumas universidades públicas brasileiras. A ELiS possui 95 caracteres ou visografemas, que são agrupados em quatro parâmetros principais para cada sinal, permitindo a sua escrita.

Teclado Apple US International com aplicação das etiquetas com as teclas da ELiS

Apesar de todo esforço para sua criação e divulgação, com a publicação em 2015 de um manual em livro para sua aprendizagem e a disponibilização de uma fonte própria (TTF Windows) para uso em computadores, a ELiS não tinha até esse momento um modelo de teclado adaptado para sua escrita. Foi pensando nessa lacuna que o professor Alexandre Rosado, do nosso Grupo de Pesquisa, criou e disponibilizou layouts com as teclas prontas para impressão e fixação em dois tipos diferentes de teclados: Apple US International e ABNT Windows. As teclas podem ser impressas em qualquer bureau de impressão, usando papel autoadesivo, co película protetora transparente e com aplicação de corte digital (ver instruções nos arquivos).

Disponibilizamos este trabalho para toda comunidade estudiosa e interessada no tema, confiando que a escrita de uma língua e seu consequente registro pode ocorrer em diferentes modalidades: seja em vídeo ou, também, na forma escrita.

Layout para impressão de Teclado Apple US International (sem a tecla Ç)

Download de Etiquetas para Teclado Apple cor Branca

Download de Etiquetas para Teclado Apple cor Preta

Layout para impressão de Teclado ABNT Windows (com a tecla Ç)

Download de Etiquetas para Teclado Windows ABNT cor Branca

Download de Etiquetas para Teclado Windows ABNT cor Preta

Links importantes

  1. Site para aquisição do livro “ELiS: Sistema Brasileiro de Escrita das Línguas de Sinais”, contendo diversos materiais, entre eles exercícios e os visografemas utilizados na ELiS.
  2. Download da Fonte TTF ELiS (para Windows).
  3. Download da Fonte OTF ELiS (para Apple Macintosh).

Professores do GP participam de aula de encerramento em Curso de Extensão na UFRJ

Na manhã do último dia 15 de junho, os professores Cristiane Taveira e Alexandre Rosado participaram da aula de encerramento do curso de extensão “Imagens surdas: reflexões sobre letramentos de surdos” na Faculdade de Letras da UFRJ. O curso é coordenado pela professora Danielle Cristina Mendes Pereira, que também é colaboradora do nosso curso de Mestrado Profissional em Educação Bilíngue do INES na linha de pesquisa “Língua e Linguagens”. 

O tema escolhido para a aula foi “Proposta de uma gramática visual para os vídeos digitais em línguas de sinais”, a partir das pesquisas realizadas pelos integrantes do grupo de pesquisa com 24 vídeos voltados ao público surdo disponíveis na internet. A ideia da palestra foi apresentar a pesquisa, sua fundamentação teórica e os seus resultados, que envolvem a proposta de elementos básicos e seus relações e variações em vídeos em línguas de sinais. O artigo científico que foi a base da apresentação será publicado no próximo número (set. 2019) da Revista Brasileira de Educação Especial.

Professores Danielle Mendes, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado

Estiveram presentes cerca de 20 participantes, que nos acolheram e participaram ativamente da apresentação, com contribuições e comentários valiosos. Informações sobre o curso de extensão podem ser acessadas aqui.

 

 

Participação no II congresso Internacional de Comunicação e Educação

Os pesquisadores Cristiane Taveira e Alexandre Rosado participaram, entre os dias 12 e 14 de novembro do II congresso Internacional de Comunicação e Educação na Universidade de São Paulo (USP).

O foco do congresso foi a Educomunicação, área proposta há mais de duas décadas pelo pesquisador Ismar de Oliveira Soares. Entre as personalidades que participaram do evento estão: Guillermo Orozco Gómez, um dos principais pesquisadores latino-americanos na área de comunicação e educação, desenvolvendo ações desde os anos 80 do século XX no México; Carolyn Wilson, canadense, organizadora do livro “Media and information literacy curriculum for teachers” da UNESCO, que utilizamos no INES para embasar ações de alfabetização midiática junto aos alunos do nosso curso de graduação. Este livro propõe o termo Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) para abranger conceitos diversos e convergentes como Mídia-educação e Educomunicação.

Destacamos o painel sobre “Redes nacionais e internacionais de articulação da educação midiática na Iberoamérica” em que se debateu as redes internacionais que vem sendo criadas para unir e permitir trocas entre pesquisadores e outros atores sociais em suas ações educomunicativas. Destaque para as ações da GAPMIL, Global Alliance for Partnerships on Media and Information Literacy, iniciativa da UNESCO criada em 2013 e que reúne agentes de Educomunicação, pessoas físicas, jurídicas e ONGs, de 80 países.

Iremos propor a integração de nosso grupo de pesquisa, “Educação, Mídias e Comunidade surda” a esta iniciativa, ampliando o escopo de ação do INES na comunidade de educomunicadores, visto que desenvolvemos ações formativas neste campo.

Apresentamos nosso artigo no GT “Transformação social – Letramentos, com professores e estudantes. Experiências no Brasil e em Moçambique”. O GT foi bem variado em perfil de apresentações, desde estudantes de mestrado, com apresentações de suas pesquisas em andamento, até pesquisadores consolidados na área. Destaque para a apresentação do coordenador do GT, Agnaldo Arroio, da Faculdade de Educação da USP, que nos mostrou um panorama de suas ações de produção de vídeo junto a agentes de saúde e professores em Moçambique, desde o começo dos anos 2000, em parceria com o governo do Japão. Também tivemos a oportunidade de conhecer o trabalho de Helena Corazza, que nos contou a história de suas ações mídia-educativas, desde os anos 70, evidenciando a ligação das ações da Igreja Católica (pastorais e seus jornais e rádios comunitárias) com as bases do que hoje conhecemos como Educomunicação. No GT tivemos a oportunidade de apresentar os trabalhos do nosso grupo de pesquisa e as ações específicas de criação de uma gramática visual para os vídeos em línguas de sinais (em breve será publicado em livro organizado pelo evento).

IMG_7768Assistimos também a mesa redonda sobre “Inovação e protagonismo social na Educação midiática”. Destacamos a participação de Regina de Assis, diretora de Educação, Comunicação e Cultura da TV Escola. Pudemos conversar com Regina que nos convidou a visitá-la na TV Escola e propor parcerias com nosso grupo de pesquisa a suas ações. Percebemos que o uso de mídias digitais e as tensões sobre a veracidade de conteúdos veiculados nesses novos meios foi uma das tônicas do debate, evidenciando preocupações com os avanços das fake news e seus efeitos na juventude.

Pudemos ainda assistir o painel “A contribuição dos programas de pós-graduação como articuladores de pesquisas sobre Educomunicação e mídia-educação” que contou com a participação de Monica Fantin, professora da UFSC e autora da área de mídia-educação, referência consultada em nossos estudos no grupo de pesquisa (veja aqui). Percebemos neste painel que embora haja um amplo leque de interesses de orientandos de mestrado e doutorado na relação entre educação e comunicação, falta ainda uma definição mais precisa de conceitos basilares da área, o que foi evidenciado nas falas dos participantes presentes, especialmente estudantes de mestrado. Também foi evidenciado o crescimento do interesse de pesquisa na área educomunicativa / mídia-educativa, com a ampliação de programas e linhas de pesquisa na área.

O congresso, como um todo, foi um momento importante para nós pesquisadores, visto que pudemos encontrar pesquisadores com diferentes perspetivas na interface educação/comunicação, contribuindo para a ampliação do leque teórico e de relações institucionais com os trabalhos que desenvolvemos em nosso grupo de pesquisa desde o ano de 2015.

Participação em banca de mestrado e palestra na UNIOESTE-PR

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) convidou os líderes do nosso grupo de pesquisa para participar de uma banca de mestrado e ministrar palestra pública para os alunos da universidade.

O dia 17 de agosto de 2018 foi uma data especial para a UNIOESTE. Nesta data formou-se a primeira aluna surda do Programa de Pós-graduação em Ensino (PPGEn) daquela universidade, orientada pelo professor Clodis Boscarioli (acesso ao lattes). Além do orientador, a banca contou com a presença do coordenador do programa, o professor Reginaldo Aparecido Zara (acesso ao lattes) e a líder do nosso GP, a professora Cristiane Taveira. O foco da banca esteve na análise das práticas pedagógicas discutidas na dissertação de Katiuscia Wagner, intitulada “Um olhar sobre as práticas de ensino em escolas de surdos de Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo no 4º e 5º anos do Ensino Fundamental”.

Após a realização da banca,  os professores Alexandre Rosado e Cristiane Taveira apresentaram a palestra “Aquilo que eu olho é tudo que eu vejo? Contribuições da arte, da mídia-educação e da gramática visual no campo da surdez”. As diversas iniciativas do grupo de pesquisa foram apresentadas e debatidas seus fundamentos teóricos e resultados. Com ampla divulgação, tivemos alunos de diversos cursos, com destaque para alunos surdos, um deles pertencente ao curso de cinema da UNILA e outra mestranda do PPGEn da UNIOESTE, vindos especialmente para a palestra. Também tivemos ampla participação de integrantes do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) de Cascavel-PR.

Após a palestra, os professores foram convidados a conhecer a APASFI, Associação de Pais e Amigos dos Surdos Foz do Iguaçu (acesso à página do Facebook), recebendo ao final o livro comemorativo dos 30 anos da instituição, ricamente ilustrado, sendo que uma das cópias será entregue para a Biblioteca do INES como doação.

Poster apresentado durante a III Jornada de Iniciação científica

No dia 22 de novembro de 2017, durante a III JIC, nosso grupo de pesquisa apresentou poster intitulado “Elementos da gramática visual no conto de histórias para crianças surdas: questões emergentes e resultados parciais” como parte do nosso projeto de pesquisa “Produção visual na comunidade surda: prática pedagógica, comunicação e linguagens”. Trouxemos aportes teóricos estudados pelo grupo ao longo desse segundo ano de projeto, já anunciados durante o COINES: elementos da gramática visual a partir de autores como Dondis e Leborg, visando pensar a produção de materiais didáticos e ambiência da contação de histórias para crianças surdas.

O poster analisou a experiência do grupo com a contação de histórias oferecida ao Sedin/DEBASI no final do primeiro semestre de 2017. Assinaram o poster os seguintes participantes do grupo: Andreia da Silva Oliveira (bolsista), Cristiane Correia Taveira (líder do grupo), Elen Núbia de Lima Campos (voluntária), Luiz Alexandre da Silva Rosado (professor), Stela Santos Fernandes (professora), Thiago dos Reis Viana (bolsista), Thiago Moret de Carvalho Ramos (bolsista).

Resumo do poster
A pesquisa é uma iniciativa do grupo “Educação, Mídias e Comunidade Surda” do DESU. Exercitamos, em aplicações teórico-práticas, a compreensão da visualidade em atividades didáticas (LADD & GONÇALVES, TAVEIRA & ROSADO). Nos questionamos quanto ao processo mental do surdo, quando este desliza de uma imagem para outra imagem, as conectando em sucessivas linkagens. Este processo, mais próximo ao fazer artístico, também se constitui aplicação e refinamento dos elementos constituintes de uma gramática visual (DONDIS, SANTAELLA). Assumimos, quanto a esta gramática, o desmembramento de suas características, tais como texturas, formas, tamanhos, dimensões, visando criar a ambiência propícia aos leitores visuais. Mesmo com o conto das histórias em Libras, os elementos utilizados no cenário combinados com o uso de classificadores e expressão corporal, objetivaram a ampliação sensorial da interação com as histórias. Estas foram contadas para crianças surdas de 2 a 5 anos, do SEDIN, que possuíam domínios diferentes da Libras. Os envolvidos com a narrativa descreveram os cenários, apresentando os objetos utilizados em cada história. As reações das crianças foram diversas: 1. Menina que queria bater na madrasta, mostrando o entendimento de que a mesma era má; 2. Menino, que por morar em um sítio andou a cavalo de pau na cenografia, fazendo conexões com o cotidiano; 3. Aluno deu um sinal de batismo para a personagem principal de uma das histórias, compatível com os traços característicos do personagem. Nos coletivos: 4. Crianças repetiram os classificadores para o uso da flecha na caça e em outras atividades cotidianas da aldeia indígena; 5. Crianças levantando para ajudar a montar o casco da tartaruga da Fábula, quando a mesma cai e quebra o casco; 6. Cenas principais dos heróis, que culminam no ápice das histórias eram facilmente reencenadas. As crianças conseguiram demonstrar a compreensão através do jogo simbólico com objetos e atos.

Acesse o poster aqui