Nosso grupo de pesquisa comemorou o Setembro Azul com quatro convidados

No mês de setembro realizamos mais um ciclo de palestras promovido pelo Grupo de Pesquisa “Educação, Mídias e Comunidade surda”. Utilizamos os espaços de aula e de reunião por videoconferência para congregar, de modo comemorativo, os membros deste GP, os alunos da graduação, da pós lato e stricto sensu do Departamento de Ensino Superior (DESU-INES) e outros pares de Programas de Mestrado e Doutorado do país. Tivemos como convidados, que gentilmente aceitaram o nosso convite: Francielle Cantarelli Martins (UFPel), Fabiano Souto Rosa (UFPel), Carolina Hessel da Silveira (UFRGS) e Sueli Fernandes (UFPR).

O nosso fio condutor são as práticas surgentes ((e insurgentes)) da Educação Bilíngue de Surdos, com especial atenção ao tripé: Pedagogias Culturais Surdas, Letramento Acadêmico Bilíngue e o Videoregistro em Línguas de Sinais. Alicerçado nesses pilares estão os subtemas da literatura infantojuvenil, a contação de histórias, a construção de uma surdo-memória registrada em diversos gêneros de vídeo produzidos e consumidos na/pela comunidade surda. Surdo-memória é um termo cunhado pelos líderes desse GP, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado.

Pedagogias culturais surdas

A pesquisadora Francielle Martins realizou em dois turnos, manhã e noite, nos dias 14 e 15 de setembro de 2021, a Aula inaugural a respeito das Pedagogias Culturais Surdas, atingindo um público de 159 pessoas.

O tema da Pedagogia Surda nos remeteu ao papel das associações como espaço comemorativo e de trocas entre a comunidade surda; às aulas-passeio de modo a vivenciar os assuntos em ambientes não-formais; a importância de atos de comunicação (a passagem do gesto caseiro à Libras); o letramento bilíngue com o uso de estratégias didáticas para consolidar Libras e português; o papel da família com suas rotinas com crianças surdas; o papel da escola (as práticas de escolas de surdos e das inclusivas bilíngues); o uso de tecnologias e de materiais didáticos para crianças surdas (ideias de materiais). Temos os slides de sua palestra ao final desta matéria.

Literatura e conto de histórias

Os pesquisadores Fabiano Rosa (UFPel) e Carolina Hessel (UFRGS) abordaram o tema da Literatura e seus desdobramentos no conto de histórias e a necessidade do estímulo à produção de vídeos em Libras. Ambos são autores de livros de Literatura Surda infantojuvenil e de projetos que envolvem um apelo sensível ao mundo que nos rodeia.

Fabiano Rosa optou por uma conversa sem o uso de slides em que relatou a pesquisa em mestrado sobre os tipos de literatura surda (tradução, adaptação e criação) e as suas experiências como pais, juntamente com Francielle, das meninas surdas Fiorella e Florence. Ele iniciou um conjunto de dicas para o conto de histórias e que no dia seguinte, à noite, Carolina Hessel aprofundaria. O Fabiano não usou slides, mas nos mostrou e atualizou um pouco mais de títulos de livros de Literatura Surda. A data da palestra de Fabiano Rosa foi em 21 de setembro pela manhã, com público de 30 pessoas. O estilo de Fabiano Rosa nos traz a ideia da experimentação e de carinho com o meio ambiente, o que envolve todos os seres, os pássaros, as suas duas meninas, a casa na roça, com suas árvores, e a vontade de dialogar, com todos, de maneira honesta.

Carolina Hessel nos trouxe uma palestra didática repleta de dicas narrando a sua experiência de contação de histórias desde a infância até a elaboração do canal “Mãos Aventureiras”. Mencionamos a sua conferência no TED Unisinos em que provocou a plateia com a questão: “Conversar é o mesmo que contar histórias?”.

Com um viés artístico-educacional e uma forte postura crítica, sensível e engajada, a pesquisadora Carolina Hessel, nos mostrou os livros e os vídeos de contação de histórias em Libras nos temas de imigração, minorias, das diversidades cultural e de escolha(s), por exemplo, das meninas que não desejam ser princesas.

Carolina Hessel nos passou dicas práticas para contar histórias, de como aguçar a curiosidade e manter a atenção dos pequeninos. Abordou títulos de livros ilustrados atraentes e nos mostrou o processo de escolha, de como explorá-los na contação de histórias em Libras e de abordar temas como medo de fantasmas, da rotina da infância, da brincadeira. Ficou nítida a performance e estratégias surdas, a importância do registro em vídeo na contação de histórias.

A data da palestra de Carolina Hessel foi em 22 de setembro a noite, com público de 47 pessoas. Compartilhamos os slides para quem tiver curiosidade sobre os livros, dicas e o registro em do Projeto Mãos Aventureiras.

Cultura letrada em Libras

Finalizando o ciclo de palestras deste semestre, recebemos em 28 de setembro, no horário da tarde, a pesquisadora Sueli Fernandes (UFPR) com o tema “Educação bilíngue e cultura letrada em Libras”.

Sueli Fernandes nos brindou com o aspecto comemorativo da inserção da Educação Bilíngue de Surdos em nossa LDB, com destaque ao letramento e à necessidade de abalizar a importância dos vídeo-registros em Libras desta comunidade científico-acadêmica, cultural e escolar.

Como em uma espiral, retornamos ao tópico do letramento desde o Ensino Fundamental até o letramento acadêmico. O segundo, o letramento acadêmico bilíngue da comunidade surda só se dá – e é permitido – saindo da ideia da acessibilidade para a produção de mídias.

Sueli Fernandes se debruçou sobre o constructo conceitual da verbovisualidade. Como linguista e pesquisadora preocupada com a formação de professores para o Ensino Fundamental ao mesmo tempo que desenvolve a pesquisa stricto, a discorreu sobre diversos gêneros de vídeos (prova em Libras, artigos e unidades didáticas videografadas). Sueli Fernandes demostrou, firmemente, a interdependência, as misturas ou hibridismos entre imagem e texto o que incluiria a Libras como texto verbal. A palestra contou com 100 inscritos, desses aproximadamente 29 entraram na videoconferência e outros 12 assistiram no Youtube. Sem aviso prévio o Zoom e o Google Meet estabeleceram limite de inscrição de 100 pessoas. 

Saímos dessa palestra com o desejo ainda mais forte de aproximação de nossos grupos de pesquisa. Apostamos em nosso know-how em análise de vídeos: produção e consumo crítico voltados ao mote aprender a fazer mídias para melhor ler e criticar as mídias. O pouco ou escasso investimento atualmente detectado no Ensino Superior nos deixou preocupados e em alerta quanto a luta que está por vir. A Educação Bilíngue sempre e ainda é um espaço de disputa, nos dizeres de Sueli Fernandes. Colocamos os slides da pesquisadora para maior aprofundamento em suas fontes de estudo e sua empiria.

Slides das palestras

 

Palestra de Janie Amaral em nosso grupo de pesquisa

No dia 27 de julho de 2021, o nosso Grupo de Pesquisa recebeu a professora Janie Amaral em um evento de 2 horas de duração com o tema “Reflexões sobre práticas culturais pedagógicas surdas e indígenas”. Tivemos de 46 pessoas efetivamente presentes no evento.

A professora Janie Amaral é professora adjunta do Centro de Letras e Comunicação da Universidade Federal de Pelotas, onde participa do grupo de Estudos e Pesquisa N. E. T. A.  Núcleo de Etnologia Ameríndia da Faculdade de Antropologia.

Em sua formação, doutorou-se em Ciências Sociais aplicadas a Educação pela University of Bristol (2009), na área de Estudos Surdos sob orientação do Professor Paddy Ladd. O título da tese de Janie, defendida em 2009, é “O papel da cultura gaúcha e da pedagogia surda em repensar a educação dos surdos”

Professora Janie Amaral.
Professor Paddy Ladd.

Nosso contato começa com o estudo do Artigo “Cultura surda e o desenvolvimento de pedagogias surdas” e as características das pedagogias culturais surdas, trabalho este realizado por Janie Amaral e Paddy Ladd. Agregando, posteriormente, pares na América Latina, tais como Maribel González, no Chile, e pontos de contato com o trabalho de Cristiane Taveira, sobre a Didática Surda aqui no Rio.  Há pontos de inspiração na pesquisa de Shirley Vilhalva do Mato Grosso do Sul.

Durante a palestra, a pesquisadora, trouxe-nos uma narrativa com fotografias da família Cantarelli em que encontramos os pesquisadores surdos Francielle Cantarelli Martins e Fabiano Rosa, como também a pesquisadora ouvinte Antonielle Martins.

Na entrada do tema da palestra, há uma forte conexão com o seu orientador-pai (postiço) e mentor, Paddy Ladd, que por meio de suas palavras é um ativista, de esquerda, ilustríssimo nas artes e nas ciências.

Janie passeou pela ideia de ancestralidade, solidariedade, os estudos etnográficos, as comparações entre povos indígenas e povos sinalizantes, o espaço território e o idioma.

Algumas das perguntas dos membros que deram o ensejo aos slides de apresentação foram a seguintes: 1. Como e quando começou a produzir pesquisa com o Paddy Ladd? Conte-nos um pouco sobre a tarefa de comparar as pedagogias surdas do Reino Unido, Estados Unidos e Sul do Brasil. 2. Explicar os pontos em comum das pedagogias indígenas e surdas. Onde surge essa comparação? 3. Nas características das Pedagogias Surdas percebemos a centralidade da língua de sinais, mas também a importância de uma didática que estaria representada nas Pedagogias mais holísticas, pedagogias para vida, como identificá-las.

Os slides da palestra serão posteriormente anexados, mas não dão conta do diálogo afetuoso que tivemos durante todo o evento.

Cartaz de chamada da palestra de Janie Amaral.
Participantes da palestra de Janie.

Slides da palestra

Palestra de Jonatas Medeiros em nosso grupo de pesquisa

No último dia 26 de maio de 2021, o tradutor-intérprete Jonas Medeiros esteve presente em nosso grupo de pesquisa. Jonatas, a partir de perguntas feitas ao vivo pelo público presente, especialmente alunos surdos do INES, nos falou/sinalizou um pouco sobre seu processo tradutório, as suas escolhas profissionais a partir de sua atuação cultural, social e política com a comunidade surda, e também nos explicou um pouco do seu processo de criação de vídeos em Libras.

Momento da palestra, via Zoom, ocorrida no dia 26 de maio deste ano.

Jonatas atuou em 2020 e 2021 na produção de quatro vídeos em Libras para a disciplina PADEBS (Produção de Artefatos Didáticos na Educação Bilíngue de Surdos) do Mestrado Profissional em Educação Bilíngue do INES. Esta disciplina é ministrada pelos líderes do grupo de pesquisa Educação, Mídias e Comunidade Surda, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado. Nesta disciplina também colaborou a professora Claudia Pimentel com o tema ambiências na educação infantil, sendo a professora atualmente coordenadora do programa de pós-graduação stricto sensu, o PPGEB INES.

Os vídeos, cuja produção de conteúdo e curadoria de imagens esteve sob a responsabilidade de Alexandre e Cristiane, estão disponíveis aqui em nosso site, na seção “Produções em Libras”. Nós entendemos que seu conteúdo não pode ficar restrito somente aos alunos mestrandos do INES, mas sim a toda comunidade surda interessada nos temas tratados nestes materiais: gramática visual, alfabetismo visual, tipos de imagem, ambiências e visualidade.

Os vídeos foram inspirados em capítulos de livros das autoras Donis A. Dondis (Sintaxe da Linguagem Visual) e Lúcia Santaella (Leitura de Imagens), cujos os livros estão indicados em seção específica deste site, assim como em recentes publicações dos líderes deste GP a respeito da gramática visual proposta para análise composicional de vídeos em línguas de sinais.

Certificamos, no total, 97 alunos presentes neste evento. Houve ampla divulgação ocorrida na rede social Facebook, com 29 compartilhamentos da publicação, indicando amplo interesse da comunidade interna e externa! Ahhh! O site Fluindo Libras apresenta o amplo portfólio de Jonatas Medeiros (e equipe) na tradução-interpretação em diversos ambientes e tipos de arte, tais como cinema e teatro. Vale o acesso!

Nosso grupo oferece dois cursos de extensão: breve relato da nossa experiência EaD durante a quarentena

Não tem sido fácil para ninguém este período de quarentena diante da pandemia da COVID-19. Tivemos que mudar hábitos, criar novas formas de nos encontrarmos, repensar completamente nossa rotina de vida e forma de trabalhar. Diante deste novo cenário, nosso grupo de pesquisa resolveu oferecer nessa quarentena dois cursos de extensão para alunos internos e externos ao INES. Os cursos se juntam a outras iniciativas propostas pelos nossos professores do Departamento de Ensino Superior do INES, usando diferentes metodologias e plataformas. É um período novo em que testes, mudanças e adaptações ocorrem à medida que o barco, navegando pelo mar revolto, avança.

Aprendendo sobre a contação de histórias para crianças surdas

O primeiro curso que oferecemos se chama “Conto de histórias para crianças surdas” e contará nos meses de maio, junho e julho com alguns convidados especiais para os quatro encontros online previstos do curso. Agradecemos desde já a pronta participação deles, que reservaram um espaço em suas agendas e uniram forças com nosso GP.

A nossa primeira convidada, a professora da UFPel Tatiana Lebdeff, nos trouxe no último dia 26 de maio sua experiência de pós-doutorado na escola PSD (Pennsylvania School of Deaf). O objetivo da palestra foi apresentar o Programa de Leitura Compartilhada desenvolvido pela Universidade Gallaudet e aplicado na PSD. Foram detalhados aspectos curiosos e surpreendentes sobre o processo de alfabetização bilíngue aplicado nesta importante escola. Tivemos aproximadamente 30 alunos participando por videoconferência através do aplicativo Zoom e enviando suas questões para a professora Lebedeff.

Está prevista também a participação de Alessandra Delmar, que abordará os 15 princípios de leitura compartilhada (acessem a monografia em Libras dela sobre o tema), Claudio Mourão e Bruna Branco com o tema literatura surda e, por fim, Cleber Couto e Ramon Linhares desenvolvendo o tema arte no conto de histórias.

Semiótica como chave de leitura

O segundo curso se chama “Diálogos e jogos para entender semiótica“. No curso, os líderes do grupo de pesquisa, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado, conjuntamente com a professora Claudia Pimentel, atual coordenadora do programa de mestrado do INES, apresentam em 4 módulos os resultados de pesquisas e propostas desenvolvidas ao longo dos últimos 5 anos de pesquisas do grupo. Os módulos são: Semiótica, Gramática Visual, Ambiências e Vídeos em Libras.

A aula inaugural do curso, no dia 19 de maio, foi com o professor Alexandre Rosado que apresentou a conferência “Inscrições, registros e memórias surdas em produções visuais digitais: escritas, gramáticas e visualidades em Libras“. A aula inaugural do curso serviu para apresentar também a proposta metodológica e a primeira temática, a semiótica. Os alunos tem sido muito ativos nos encontros realizados até o momento, contribuindo com questões que dinamizam as apresentações.

A sala de aula invertida como proposta metodológica

Ambos os cursos trabalham com a ideia de sala de aula invertida. Primeiramente os alunos recebem, em etapas, materiais de estudo (textos, vídeos em Libras, imagens, slides) e tarefas para serem realizadas individualmente na plataforma de EaD Classroom, se aproximando dos conceitos e aplicações propostas pelos professores.

Após as tarefas serem realizadas pelos alunos, ocorre a videoconferência com todos os cursistas a partir do material enviado por eles ao responderem seus exercícios. No último dia 2 de junho a professora Cristiane Taveira apresentou suas considerações sobre a semiótica a partir das respostas obtidas dos alunos durante a primeira atividade, um quiz elaborado a partir de imagens selecionadas pela professora. Com o debate sustentado e incentivado pelo retorno dos alunos aos exercícios propostos, o curso se torna mais personalizado.

Com esses dois cursos na modalidade EaD, o nosso GP inaugura uma nova etapa em suas atividades, abrangendo participantes cursistas fora do Rio de Janeiro, já que não temos o limite físico da presença em sala de aula no INES. Temos alunos de diversas regiões do Brasil e, até mesmo, inscritos de Portugal e da Argentina, vindos a partir do anúncio do curso realizado via Facebook e também pelo site do INES. Esperamos que todos passem bem, na medida do possível, por este período extremamente difícil de pandemia e que os nossos encontros online se juntem, futuramente, a novas e, não menos necessárias, experiências presenciais. E não custa repetir, nessa pandemia procurem FICAR EM CASA. 😉

Contação de histórias foi eixo condutor de pôsteres e comunicação apresentados durante o COINES 2019

Os alunos de graduação em Pedagogia do DESU-INES, durante as disciplinas de Educação Bilíngue, desenvolvem estratégias didáticas inspiradas no programa norte-americado Shared Reading Program da Universidade Gallaudet, traduzido para o Português como “Projeto de Leitura Compartilhada”. Nele, os alunos estudam quinze princípios norteadores para contação de histórias para crianças surdas e procuram aplicá-los na criação de histórias voltadas a alunos surdos da educação infantil.

Os materiais confeccionados pelos nossos alunos em parceria com a professora da disciplina, Cristiane Taveira, ao longo dos anos 2016, 2017 e 2018, foram todos doados para o DEBASI/SEDIN (alunos da educação infantil do INES). Entre os materiais didáticos produzidos estão as histórias: Feijãozinho Surdo, Patinho Surdo, Cinderela Surda, Lenda Festa no Céu, Lenda Indígena da Erva-Mate, Fábula Dois amigos e um urso.

Como novo impulso a este trabalho, no ano de 2019 realizamos a produção das histórias Rapunzel Negra e a Fábula Assembleia dos Ratos, em várias versões adaptadas pelos alunos em conjunto e guiados pela professora.

Alunos apresentam comunicação durante o COINES 2019

Esse trabalho tem um fundo teórico-prático que, desde junho de 2015, com a criação de nosso Grupo de Pesquisa “Educação, mídias e comunidade surda” e a realização de reuniões quinzenais, integra a contação de histórias como parte de suas iniciativas de extensão, sempre organizadas e conduzidas pelos líderes do GP. Dessa forma, a prática é apoiada pelos estudos sobre letramento visual e gramática visual inspirados em ampla bibliografia debatida pelo grupo.

Diversos pôsteres sobre a experiência de contação de histórias para o SEDIN foram apresentados por nossos alunos durante o COINES 2019.

Os resultados desse trabalho, os materiais produzidos para o conto de histórias, foram apresentados pelos nossos graduandos em comunicação e em pôsteres durante o Congresso Internacional do INES (COINES) de 2019. Importante salientar que mais de 20 pôsteres já foram produzidos entre os anos de 2016 e 2019, totalizando 10 histórias com materiais didáticos doados ao SEDIN após testagem.

Recebemos também com bastante felicidade a notícia, ao final do COINES, que dois dos nossos pôsteres foram premiados e terão em breve seus materiais publicados nas revistas científicas do INES.

 

Assembleia dos Ratos: contação de história na festa do Dia das Crianças

No último dia 11 de outubro de 2019, fomos convidados por Vera Nórdio, dirigente da Coordenação de Avaliação e Atendimento ao Educando (COAE), a participar da festa do Dia das Crianças do INES.

Durante as comemorações, fomos responsáveis por criar a ambiência externa à visita de um ônibus-biblioteca (do Projeto Livro nas Praças) e, para isso, contamos a fábula Assembleia dos Ratos em quatro apresentações de Leitura Compartilhada. Confeccionamos e utilizamos materiais multissensoriais, organizando a participação de dois grupos de alunos contadores.

Os alunos de graduação do Departamento de Ensino Superior (DESU) do INES desenvolveram estratégias didáticas provenientes do Shared Reading ProjectProjeto de Leitura Compartilhada da Gallaudet University. Após as contações de histórias, todos os materiais didáticos produzidos de 2016 a 2018 foram doados. São materiais das seguintes histórias: Feijãozinho Surdo, Patinho Surdo, Cinderela Surda, Lenda Festa no Céu, Lenda Indígena da Erva-Mate, Fábula Dois Amigos e Um Urso.

Fizemos também, até agora, dezesseis pôsteres sobre o conto e reconto de histórias, de um total de vinte e quatro já produzidos por nosso grupo de pesquisa ao longo dos últimos cinco anos. Nossa pesquisa sobre contação de história está chegando a sua etapa final em 2020, com dados mais consistentes que, em breve, serão publicados. Este trabalho faz parte de uma das iniciativas de estudos sobre letramento visual e gramática visual dos líderes desse grupo, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado.

A nossa experiência no último dia 11 de outubro envolveu grupos de 15 a 25 crianças e adolescentes surdos e surdocegos. Foram aproximadamente 60 alunos participantes deste projeto em 2019. Abaixo temos algumas fotografias da nossa contação da Fábula Assembleia dos Ratos.

 

Sinal em Libras para contação de história

Apresentação da contação de história durante a manhã 

Apresentação da contação de história durante a tarde

 

Pôsteres apresentados no III Simpósio sobre Ensino de Língua Portuguesa para Surdos

Aconteceu nos dias 28 e 29 de agosto de 2019, no INES, o III Simpósio sobre Ensino de Língua Portuguesa para Surdos: Formação Docente em Foco. Nossos alunos de quinto período da graduação de Pedagogia do DESU apresentaram quatro Pôsteres sob orientação da Professora Cristiane Taveira. Nestes Pôsteres relatamos as experiências de produção de materiais didáticos e do uso de estratégias do Shared Reading Program – Projeto de Leitura Compartilhada para o conto de histórias para surdos.

Alunos recebem seus certificados de participação no evento.

Iniciamos este projeto de Conto de histórias no ano de 2016. Neste momento nos preparamos para oferecer dois novos Contos de história para a Educação Infantil e o primeiro segmento do Ensino Fundamental: Rapunzel e Assembleia dos Ratos. Os Pôsteres compreendem as fases de estudo teórico, a etapa de elaboração dos materiais, roteirização da atividade e treinos. Faremos a contação de histórias com crianças de três até doze anos de idade no dia 11 de outubro de 2019.

Lembramos que este projeto doou todos os materiais didáticos produzidos no DESU de 2016 a 2018. Alguns dos materiais doados foram relacionados às histórias: Feijãozinho Surdo, Patinho Surdo, Cinderela Surda, Festa no Céu, Lenda Indígena da Erva-Mate, fábula Dois Amigos e um Urso e, agora, mais duas novas histórias.

Nossos alunos receberam convites para desdobramentos de escrita de artigos para as Revistas científicas do INES tendo sido premiados com o primeiro e segundo lugar do III Simpósio sobre Ensino de Língua Portuguesa para Surdos. Eles farão novas revisões de dados coletados para o compartilhamento de outras etapas da pesquisa.

 

Participação no evento “Dia Nacional do Surdo” no SENAC RJ

No último dia 26 de setembro de 2019 o nosso grupo de pesquisa esteve representado pelo professor Alexandre Rosado no evento “Libras e as Tecnologias Digitais: acessibilidade e inclusão digital do surdo“. Ele trouxe o tema “Inscrições, registros e memórias surdas em produções visuais digitais”, apresentando as relações entre diferentes tipos de tecnologia ao longo de nossa história (a oralidade/gestualidade, a escrita e o digital), e como elas influenciam e impactaram a comunicação das comunidades surdas e sua sociabilidade, em especial as tecnologias digitais do tempo presente. Trabalhos desenvolvidos em nosso grupo de pesquisa (monografias em Libras, curta-metragens, infografia, contações de histórias) compuseram a segunda parte da apresentação, com foco nas ações de Mídia-educação e suas produções acadêmicas derivadas.

Fotos: Claudia Duarte (Instagram)

Promovido pelo SENAC RJ como forma de celebrar o Dia Nacional do Surdo, o evento contou com apresentações dos aplicativos HandTalk e Giulia, que procuram promover, através de avatares sinalizantes digitais, traduções de Língua Portuguesa para Libras, auxiliando os surdos na acessibilidade cotidiana e sua inclusão em espaços onde a Libras é ainda desconhecida pelos ouvintes. Também contamos, na última parte do evento, com a apresentação de Bruno Ramos, ator e professor de Libras, com a palestra “A Produção de conteúdo digital em Libras: Influenciadores Digitais na comunidade Surda”, realizando ao final uma performance chamada “Papagaio Rei” em que simbolizou, poeticamente, a experiência surda de isolamento social (aprisionamento em uma gaiola) e sua posterior libertação quando se torna integrado a uma comunidade de usuários de língua de sinais.

Agradecemos o convite do SENAC RJ, representado por Thais Duarte (Gerência de Desenvolvimento de Produtos Educacionais), e esperamos que seja a primeira de muitas participações!

Agradecemos também a divulgação no jornal O Dia.

Slides utilizados na apresentação

 

 

Disponibilizado layout de teclado para escrita das línguas de sinais (sistema ELiS)

Um dos maiores desafios das línguas de sinais está em sua forma de registro. Nas últimas três décadas vimos uma ascensão estonteante das mídias digitais conectadas em redes de dados, originando a rede internet e bilhões de websites produzidos por empresas e pessoas físicas.

Exemplo de um texto em Libras escrito com ELiS.

No campo de estudos da surdez não foi menos importante o impacto destas novas mídias. Em alguns poucos anos percebemos um enorme crescimento da produção de vídeos em língua de sinais. No INES, vimos o nascimento da TV INES em 2013, uma TV criada e pensada para a comunidade surda, totalmente em Libras. Pela internet cresceram as postagens de vídeos pessoais, educacionais, informativos, acadêmicos, de curiosidades e sobre os mais diversos assuntos. Em nosso grupo de pesquisa já experimentamos, por exemplo, a produção de monografias em Libras e a criação, com nossos alunos, de vídeos novelísticos. A comunidade surda como um todo fortaleceu suas diversas línguas de sinais pelo mundo com a difusão de seus materiais, especialmente em sites como Vimeo e Youtube. É um renascimento linguístico e visual para esta comunidade o momento em que vivemos.

Livro publicado por Mariângela Estelita sobre a ELiS (um Manual para aprendizagem, com exercícios diversos)

Ao mesmo tempo, nas últimas décadas tivemos um aumento dos estudos gramaticais sobre as línguas de sinais, assim como propostas de escrita para estas línguas viso-gestuais, eliminando de vez a ideia de que elas seriam ágrafas, ou seja, sem escrita. No Brasil, tivemos uma proposta original da pesquisadora Mariângela Estelita Barros (Universidade Federal de Goiás), o Sistema Brasileiro de Escrita das Línguas de Sinais, a ELiS. A ELiS, inspirada no trabalho pioneiro de Wiiliam Stokoe (Universidade Gallaudet), foi criada em 1998 e aperfeiçoada ao longo das últimas duas décadas através de pesquisas e cursos oferecidos pela pesquisadora e professores em algumas universidades públicas brasileiras. A ELiS possui 95 caracteres ou visografemas, que são agrupados em quatro parâmetros principais para cada sinal, permitindo a sua escrita.

Teclado Apple US International com aplicação das etiquetas com as teclas da ELiS

Apesar de todo esforço para sua criação e divulgação, com a publicação em 2015 de um manual em livro para sua aprendizagem e a disponibilização de uma fonte própria (TTF Windows) para uso em computadores, a ELiS não tinha até esse momento um modelo de teclado adaptado para sua escrita. Foi pensando nessa lacuna que o professor Alexandre Rosado, do nosso Grupo de Pesquisa, criou e disponibilizou layouts com as teclas prontas para impressão e fixação em dois tipos diferentes de teclados: Apple US International e ABNT Windows. As teclas podem ser impressas em qualquer bureau de impressão, usando papel autoadesivo, co película protetora transparente e com aplicação de corte digital (ver instruções nos arquivos).

Disponibilizamos este trabalho para toda comunidade estudiosa e interessada no tema, confiando que a escrita de uma língua e seu consequente registro pode ocorrer em diferentes modalidades: seja em vídeo ou, também, na forma escrita.

Layout para impressão de Teclado Apple US International (sem a tecla Ç)

Download de Etiquetas para Teclado Apple cor Branca

Download de Etiquetas para Teclado Apple cor Preta

Layout para impressão de Teclado ABNT Windows (com a tecla Ç)

Download de Etiquetas para Teclado Windows ABNT cor Branca

Download de Etiquetas para Teclado Windows ABNT cor Preta

Links importantes

  1. Site para aquisição do livro “ELiS: Sistema Brasileiro de Escrita das Línguas de Sinais”, contendo diversos materiais, entre eles exercícios e os visografemas utilizados na ELiS.
  2. Download da Fonte TTF ELiS (para Windows).
  3. Download da Fonte OTF ELiS (para Apple Macintosh).

Professores do GP participam de aula de encerramento em Curso de Extensão na UFRJ

Na manhã do último dia 15 de junho, os professores Cristiane Taveira e Alexandre Rosado participaram da aula de encerramento do curso de extensão “Imagens surdas: reflexões sobre letramentos de surdos” na Faculdade de Letras da UFRJ. O curso é coordenado pela professora Danielle Cristina Mendes Pereira, que também é colaboradora do nosso curso de Mestrado Profissional em Educação Bilíngue do INES na linha de pesquisa “Língua e Linguagens”. 

O tema escolhido para a aula foi “Proposta de uma gramática visual para os vídeos digitais em línguas de sinais”, a partir das pesquisas realizadas pelos integrantes do grupo de pesquisa com 24 vídeos voltados ao público surdo disponíveis na internet. A ideia da palestra foi apresentar a pesquisa, sua fundamentação teórica e os seus resultados, que envolvem a proposta de elementos básicos e seus relações e variações em vídeos em línguas de sinais. O artigo científico que foi a base da apresentação será publicado no próximo número (set. 2019) da Revista Brasileira de Educação Especial.

Professores Danielle Mendes, Cristiane Taveira e Alexandre Rosado

Estiveram presentes cerca de 20 participantes, que nos acolheram e participaram ativamente da apresentação, com contribuições e comentários valiosos. Informações sobre o curso de extensão podem ser acessadas aqui.